Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

O poder dos chalupas

Apesar de já estarem habituadas, as pessoas normais costumam indignar-se por os governos não cumprirem aquilo que prometeram na campanha eleitoral que os conduziu ao poder. É uma coisa que as aborrece, a costumeira falta de palavra dos políticos. Ou, vá, a frequente mudança de opinião dos ditos face a circunstâncias que possam comprometer a sua reeleição. Acontece muito.

Estranho é haver quem exija o contrário. Que exija do governo outras opções políticas, diferentes das promessas que levaram os eleitores a escolher aqueles e não outros para governar. A discórdia é salutar. Não temos que estar todos de acordo nem, muito menos, pensar todos da mesma maneira. Pensar que quem foi eleito deve, depois de chegar ao poder, esquecer as promessas que levaram a maioria a votar neles para aplicar as políticas de partidos que no seu conjunto têm dez deputados, é que já me parece algo muito pouco democrático.

Um governo deve cumprir o mandato para o qual foi escolhido. Depois, se não estivermos contentes, escolhemos outro. Essas escolhas serão primordialmente influenciadas pelos resultados das políticas que foram colocadas em prática, pelo que, para escolher em consciência, nada como vê-las implementadas. Mal vai um país quando uma ultra minoria de chalupas – muitos, até, chalupas que outros exportaram para cá - consegue condicionar as políticas do governo. E, pior ainda, condicionar as nossas escolhas. Como, provavelmente, acontecerá com as escolhas dos franceses nas próximas presidenciais. Depois não se queixem…

0