Chega a ser comovente a candura com que a comunicação sociais trata os manifestantes das “acampadas”. São quase promovidos a heróis. Nada, para além do que interessa à suposta causa, lhes é questionado. Ao contrário do que sucede quando o entrevistado se atreve a discordar da versão que os jornaleiros de serviço querem transmitir para a opinião pública.
Eles sabem exactamente o que devemos ver. Há medida que o tempo passa o número de bandeiras palestinianas que aparecem nos ecrans tem diminuído drasticamente. As criaturas de aspecto execrável, também. Agora, ao contrário do que acontecia nos primeiros dias, quase só entrevistam gente com aspecto relativamente aceitável. Não é que tudo o que lá estava antes tenha desaparecido, eles é que optam por não mostrar pois sabem que a generalidade das pessoas não nutre qualquer simpatia com arruaceiros. Também se tem empenhado, mais recentemente em esconder os estrangeiros. Gente com sotaque e que se não gosta do que temos para lhes dar devia voltar para de onde veio, tem tido ultimamente menos acesso aos microfones.
Por fazer ficam as perguntas que possam incomodar os delinquentes disfarçados de manifestantes que por ali exibem as suas tristes figuras. Porque razão impedem bandeiras de países democráticos e agridem quem as exibe? Porque não perguntam a profissão aos entrevistados? Porque não chamam a policia quando os acampados tratam o espaço publico como se lhes estivesse concessionado e impedem os demais, jornalistas incluídos, de circular pelo espaço público? Porque, nem por uma vez, questionam a legitimidade daquela gente em falar como se representassem o povo? Aos estrangeiros porque não perguntam que raio fazem num país que não lhes proporciona as condições de vida que eles, muito legitimamente, anseiam?
Outra questão interessante, embora menos relevante pois vozes de burro não chegam ao céu, era pedir aos tendeiros que nos elucidem como seria o país depois de cumpridos os apelos à “revolução”, ao “poder popular” e ter acabado com o capitalismo. Ia ser uma coisa gira. A explicação e, principalmente, o país.