Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

A realidade, a cartilha e as bestas.

Finalmente, nesta coisa da imigração, já se começa a poder dizer que tem vantagens e inconvenientes sem que quem assim pensa seja acusado do que na altura ocorrer aos alienados que acham que todos os que aqui aportam são verdadeiros anjos, encarregados por uma divindade qualquer de nos enriquecer culturalmente, salvar a segurança social e tornar o país um paraíso na Terra.

Descontando os exageros, é óbvio para quem pensa pela sua cabeça sem ligar a cartilhas que, como tudo na vida, a imigração nos trouxe soluções e problemas. Sendo que, no caso dos problemas, o país não estava preparado para receber tanta gente. Pior, escancararam-se as portas sem a mais pequena triagem, deixando entrar quem vinha para trabalhar e, já que ali estavam, a criminosos e bandidos que fazem aqui aquilo que já faziam nos países de origem.

Durante anos repetiram até à exaustão que não podíamos associar a imigração à criminalidade. Nem a isso nem a coisa nenhuma que, mesmo ao de leve, pudesse ter uma conotação negativa. Essa associação estava reservada em exclusivo para as coisas boas. A chatice é que a realidade tem o péssimo hábito de não ler os manuais de boas intenções e acaba sempre por se impor, obrigando a dar umas cambalhotas no discurso.

Hoje, perante a impossibilidade de esconder a origem nacional, étnica ou religiosa dos criminosos saltou-se para o argumento-trunfo, "ah, e tal, mas os portugueses também cometem crimes!". O que constitui uma daquelas verdades de La Palisse. Estranho seria se assim não fosse. Perante tanta sapiência continuo a preferir a sabedoria da minha avó. Costumava ela dizer que “não temos obrigação nenhuma de aturar as bestas dos outros. Já nos bastam as da casa”.

0