Todos sabemos – a maior parte de nós pelas piores razões – que a União Europeia se preocupa com coisas. Daquelas sem importância nenhuma, nomeadamente. Daí a sua cada vez maior irrelevância no contexto internacional, quando em causa estão as grandes decisões que realmente importam à humanidade.
Num momento de rara sagacidade e de inusitada lucidez, os tipos lá da Europa decidiram proibir a venda de saquetas de açúcar. Daquelas que gajos como eu insistem em usar para adoçar o café. Parece que constituem uma ameaça global para não sei o quê. Deve ser para o ambiente, mas não tenho bem a certeza. As toneladas de pacotes vazios que vão para o lixo todos os dias devem estar a fazer um mal ao planeta que só visto. Muito mais do que a merda de cão espalhada pelas cidades ou as tintas usadas pelos marginais que grafitam as paredes, os comboios e tudo o que mais calhar. Nada disso prejudicam o quer que seja. Às tantas ainda se hão-de lembrar de instituir um prémio europeu para o mais vistoso cagalhão do ano - com direito a uma menção honrosa para o cocó que melhor represente a diversidade de género – e outro para o graffiti mais inclusivo, só para garantir que nenhuma minoria se sente excluída da mediocridade europeia.
A maluquice não se fica apenas pelos desgraçados dos pacotes de açúcar. Vai muito mais longe. A perseguição daqueles inúteis estende-se a muitos outros artigos que, no entender dos génios de Bruxelas, devem ser banidos ou reutilizados. E não ficará por aqui. A imaginação destes malucos não conhece limites. A proibição de mais de um par de sapatos e de duas “mudas” de roupa – uma para o verão outra para o inverno – por cidadão, poderão ser os próximos passos. Diz que a roupa e o calçado também causam muita poluição.