Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Ai que desgraça tão grande!

Fui abordado hoje, no mercado semanal cá da cidade, por pessoas – duas estrangeiras e outra portuguesa, que não me lembro de alguma vez ter visto – que me inquiriram se estava disponível para salvar a Serra d’Ossa. Confesso a minha ignorância, mas tirando a parte do recente incêndio nem sabia que a serra corria perigo. Ao que fui elucidado o meu contributo para o salvamento da elevação montanhosa seria assinar uma petição. Diz que haverá um projecto qualquer para instalação de aerogeradores – aquelas cenas para gerar energia eólica - naquela zona. O que será, segundo os contestatários, uma coisa muito má. Embora todos garantam que a produção de energia limpa e o fim dos combustíveis fósseis seja uma cena muito fixe. Desde que feita noutro lado, obviamente.

Não assinei, está-se mesmo a ver. Mas estou solidário. Com o senhor estrangeiro de alguma idade, com a senhora relativamente jovem igualmente estrangeira, com a portuguesa com ar de recém aposentada e com todos os demais que gastaram uma pipa de massa a comprar um monte ou um terreno onde construiram uma vivenda com vista para a serra. Fazem eles muito bem em reclamar. Eu também ficaria chateado se me estragassem a paisagem – que deve ter sido caríssima - com mamarrachos daqueles. De resto, se a variante do IP à cidade não foi construida para não prejudicar o outro “tio de Cascais” que não queria uma auto-estrada a passar-lhe à porta da casinha de fim de semana, por que raio hão-de estes querer ver umas quantas pás gigantescas a girar de cada vez que abrem a janela? E depois é destas coisas, assim como assim, os espanhóis já aumentaram o prazo de validade da central nuclear de Almaraz, que fica a duzentos quilómetros daqui, em mais uns anos.

Não são apenas os “novos estremocenses” que estão preocupados com este terrível atentado contra a Serra d’Ossa. Ao que constatei nas redes sociais, também os residentes manifestam uma justificada preocupação acerca do assunto e apontam mesmo problemas dramáticos se a ideia de instalar as turbinas eólicas se concretizar. As aves, há quem garanta, serão as principais vitimas. Correm o risco de serem todas dizimadas pelo movimento giratório das pás daquela traquitana. Ou, se conseguirem escapar a isso, chocarem contra aqueles objectos monstruosos. E depois lá se vai o alegre chilreio da passarada, concluem cheios de pena. Salvo seja, claro.

Como já escrevi em diversas ocasiões aqui no Kruzes, nomeadamente naqueles posts dedicados à “agricultura da crise”, tenho no meu quintal um grave problema com os pássaros. São muitos, estão permanentemente esfomeados e devoram tudo. Curiosamente, apesar de o meu quintal estar cheio de obstáculos, as aves demonstram uma precisão cirúrgica no voo e nunca chocaram contra nada. Talvez as preocupações dos meus conterrâneos com as eólicas me tenham dado a solução para este problema. Vou espalhar estrategicamente umas quantas ventoinhas pelo quintal. Deve ser remédio santo. Sendo bastante mais pequenas do que as geringonças da serra, aquilo vai ser um processamento em série...

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