Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Ganha um pouco mais do que o SMN? É capitalista!

Como sempre, de cada vez que é anunciada uma redução do IRS, voltamos ao mesmo. O eterno desagrado da esquerda mais à esquerda e da imensa chusma de criaturas que aliam a inveja à ignorância no âmbito da fiscalidade. Mesmo que alguns até sejam letrados noutras ciências, quando o assunto são número a burrice revela-se de forma avassaladora.

Vem isto a propósito da anunciada descida do IRS para os primeiros escalões. Acha mal aquela gente. O argumento é o de sempre. Quem ganha mais, mais beneficia e quem ganha o salário mínimo nacional não beneficia nada. Para quem passa a vida a defender a progressividade do imposto sobre o rendimento, parece-me uma argumentação com um nível de coerência assinalável. Embora, reconheço, perceber que a progressividade funciona nos dois sentidos – quando sobe e quando desce – seja um exercício intelectualmente exigente para quem acredita nos amanhãs que cantam.

O que não há maneira de baixar é o IRS sobre os rendimentos de capital, que aumentou significativamente no tempo dos governos de Sócrates e da Troika. Percebo que os extremistas da Geringonça não o tenham feito. Reduzir o imposto sobre as poupanças dos reformados e dos pequenos aforradores – a maioria dos titulares dos depósitos a prazo e certificados de aforro – constituiria uma afronta aos invejosos do costume. Já os actuais governantes não terem coragem para fazer voltar a taxa aplicável aos juros recebidos, para os valores que antes vigoravam, parece-me uma coisa a atirar para a cobardia política. Nem os tipos do Chega, que dizem alarvidades acerca de tudo e de nada, se atrevem. Todos falam, falam, falam, mas todos têm é medo de uma imensa minoria ruidosa que, apesar de ver a sua voz desmesuradamente amplificada, não deixa de ser cobiçosa, ignorante e presa a preconceitos ideológicos bafientos do século passado.

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