Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Ainda não há parque, mas já há merda de cão.

Em boa hora – ainda que essa hora tenha demorado trinta anos a chegar – a Junta de Freguesia cá do sítio decidiu avançar com a recuperação de um espaço urbano aqui nas redondezas. O “Parque da Nogueira”, assim se vai chamar a área em fase final de requalificação, deve o nome ao facto de no local existir uma outrora frondosa nogueira, que agora já não é assim tão frondosa graças aos sucessivos cortes radicais de que ciclicamente é vítima.

Aquilo, quando concluído, vai ficar catita. Até, para meu grande espanto, terá árvores. Atendendo ao que costuma ser hábito noutras requalificações de espaços – tanto cá na terra, como noutras do Alentejo –, foram plantadas espécies que prometem sombra dentro de poucos anos, ao contrário daquilo que se costuma ver noutras intervenções onde, com sorte, a sombra só chegará dentro de meio século.

Lamentavelmente, o parque – essencialmente destinado às crianças, creio – prevejo que se torne num novo cagatorium canino. Para já, está assim. Neste bonito estado que a imagem nem sequer evidencia na sua plenitude. É com este cenário que se deparam os trabalhadores da obra e os moradores das vivendas contíguas quando abrem a porta.

Há gente a quem parece ser este o local adequado para o passeio higiénico do canito. Se elegem a porta dos vizinhos e o local de trabalho dos outros para os seus patudinhos cagarem, certamente não se importarão de continuar a fazer o mesmo quando o parque estiver pronto e por ali brincarem crianças. São os javardos que temos.

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