Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Os devotos das causas profanas renderam-se ao sagrado...

Não desconfiava – nem eu, nem provavelmente ninguém – da existência de tanto especialista em sustentabilidade do sistema de pensões. Há-os por todo o lado. Basta ligar a televisão, aceder às redes sociais ou, simplesmente, dobrar uma esquina e lá estão eles a perorar, cheios de convicção, acerca da melhor maneira de tornar a segurança social sustentável até à eternidade e mais além, se necessário for. O que revela, também neste assunto, a enorme incompetência do governo. Com tanto perito, foram logo escolher um gajo que é quase unanimemente reconhecido como o menos adequado para analisar a coisa.

Uma das criticas que fazem ao estudioso e, por consequência ao governo, é que pretendem entregar o “dinheiro da segurança social” aos privados. Referindo-se, penso eu que sou praticamente ignorante nestas cenas da alta finança, à eventual criação de fundos de investimento, para onde cada um de nós canalizará parte do que agora descontamos, de forma a garantir uma pensão um pouco melhor. Se assim for – isto sou eu a supor, mas não vejo que outra coisa possa ser – por que raio se referem àquela parte do nosso ordenado que corresponde à TSU como “dinheiro da Segurança Social”?! É que, não sei se já repararam, somos nós que pagamos IRS sobre essa parcela…

Depois vem aqueles que desafiam o governo a atrever-se a mexer nas reformas – “e vai ver o que lhe acontece”, ameaçam – os que garantem que as pensões são sagradas e os que acham que os reformados entraram em pânico com estas noticias. Em pânico estou eu e há muitos anos. É que os governos andam desde há bastante tempo a mexer na minha reforma. Aquela que vou receber dentro de alguns meses, à qual já cortaram mais de um terço e que se atreveram a adiar por dez anos. E diz o outro totó que é sagrada. Olha se não fosse.

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