Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Alguém tem de pagar as coisas grátis

Um estudo, especialmente aprofundado, levou os especialistas especializados na especialidade a concluir que em Espanha os combustíveis são, antes de impostos, mais caros do que em Portugal. Nem desconfiámos que assim fosse. Num país com um nível de fiscalidade tão baixo, ninguém minimamente informado ia achar que o Estado se abotoava com uma parte tão significativa do dinheiro pago na bomba.

Excluindo aquela parte em que - no actual estado de coisas - o preço já não está para graças, costumo achar piada às constantes reclamações sobre a carestia dos combustíveis. Por várias razões. A primeira porque ninguém altera os hábitos de mobilidade e, mesmo para deslocações curtas, toda a gente continua a usar o seu belo carrinho. Nem, sequer, muda o estilo de condução. Continua-se a carregar no acelerador – na estrada toda a gente me ultrapassa e quando isso não é possível formam-se bichas enormes atrás do meu carrito – e, nas cidades, a levar o automóvel até à porta do café ou da esteticista.

A segunda razão para achar graça à indignação – e principal, admito – é comovente incapacidade de os portugueses perceberem que esta política de dar tudo a todos, inaugurada pela geringonça e continuada pelos governos seguintes, já de si insustentável e condenada a deixar todos e tudo na penúria, só é possível de existir graças aos impostos que nos sugam os rendimentos. Não gosto nada de impostos, mas nos combustíveis deixem lá estar como está. Aí, ao menos, todos pagam. Primeiro corte-se na despesa. Há muito por onde escolher. Depois alivie-se a roubalheira sobre os rendimentos. Quem tiver dúvidas olhe para a Demonstração da Liquidação de IRS. Na última página está lá bem explicado para onde se some o nosso dinheiro. Só o pior cego – aquele que não quer ver – é que não percebe.

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