Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Arrear o calhau onde calha

Até há pouco tempo era só merda de cão. Muita. Da outra, de criatura, a frequência com que aparecia no espaço público era muito rara. Com a mudança demográfica em curso não é apenas a cor das pessoas e as fatiotas excêntricas que vemos na rua, mas também os hábitos que estamos a importar. E a chatice é mesmo essa, a importação de hábitos. Ao contrário do que seria expectável não são eles que adoptam os nossos costumes, mas nós que adoptamos os deles. É aquela coisa de importar o terceiro mundo. Sem darmos por isso transforma-mo-nos no terceiro mundo.

Cagar na rua será uma salutar tradição de algumas civilizações. Por cá não tínhamos esse hábito. Parece que voltou. É cada vez mais frequente ver-mos a suas consequências pelas cidades. Como neste caso, em que o javardo arreou o calhau bem no meio da via pública. Há situações em que a natureza não pode esperar, mas este não terá sido o motivo. Afinal, a apenas uns segundos de distância teria um local mais recatado. Preferiu fazê-lo onde toda a gente que por ali passa tem constatar a sua imensa javardice. E, também, ao fim trágico de uma civilização que, ao abdicar dos seus próprios padrões, capitula silenciosamente perante a barbárie.

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