Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Manigâncias

Leio nos jornais e ouço nas noticias que os beneficiários do Rendimento Social de Inserção baixaram para o número mais reduzido de sempre. Terão passado, ao que é noticiado, de meio milhão em 2010 para cerca de 150 mil no final do ano transacto. A minha imensa ignorância levou-me a acreditar, ao tomar conhecimento destes dados, estar perante uma boa noticia. Reduzir a quantidade de pobres parece-me constituir uma boa causa e quando esse objectivo se consegue é toda a sociedade que fica a ganhar.

Mas não. Afinal, as minhas expectativas quanto à diminuição da pobreza foram manifestamente exageradas. Não foi nada disso que aconteceu, ao que a comunicação social que tudo sabe já me esclareceu. Trata-se tudo de uma maquinação do governo. Um esquema manhoso que, por via de alteração de requisitos, faz com que aquele número diminua substancialmente. Que isso da malta carenciada é cada vez mais, garante os especialistas especialmente especializados em pobreza franciscana. Gente que, como se sabe, gosta muito de pobres. Sem eles ficavam sem emprego.

Admito que não tenho especial simpatia por quem ganha a vida graças à existência de pobres, mas admito que desta vez possam ter razão. Se calhar o governo estará mesmo a indrominar os números com o intuito de baixar os custos com o RSI. Deve ser para arranjar verba para os carros eléctricos que vai oferecer às famílias vulneráveis. Uma atitude capaz de provocar um enorme choque aos que padecem de maior sensibilidade social – empatia, como dizem os modernaços – mas que faz todo o sentido. Continuam pobres, mas com estilo. Electrizante.

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